Cenário Externo
Setembro foi um mês de maior cautela nos mercados internacionais. Nos Estados Unidos, a economia continuou mostrando força, mas a inflação e o petróleo voltaram a preocupar. O Brent subiu 14,15% no mês e ficou próximo de US$ 100 por barril, o que aumenta os custos de produção e transporte e pode dificultar a queda da inflação.
Nesse cenário, o Federal Reserve, banco central americano, elevou os juros em 0,25 ponto percentual, para a faixa entre 3,75% e 4,00%. Os juros dos títulos americanos de prazo mais longo também subiram bastante, com a taxa de 10 anos chegando a 5,29%, o maior nível desde 2007, e este movimento de alta se repetiu em outras economias desenvolvidas.
Por trás desse movimento está uma combinação de fatores. O petróleo mais caro mantém a inflação pressionada e reduz o espaço para cortes de juros. Ao mesmo tempo, os governos seguem com níveis elevados de endividamento, aumentando a necessidade de financiamento. Além disso, as grandes empresas de tecnologia continuam investindo fortemente em inteligência artificial, o que também aumenta a demanda por recursos.
Na prática, juros mais altos por mais tempo tornam o crédito mais caro para famílias, empresas e governos. Por isso, o comportamento dos juros de longo prazo passou a ser um dos principais pontos de atenção dos mercados globais.
Cenário Local
No Brasil, o comportamento dos mercados foi diferente do observado no exterior. Enquanto os juros americanos subiram, os juros brasileiros recuaram, em meio a sinais de desaceleração da economia e a uma inflação mais comportada em parte do mês.
O Banco Central reduziu a Selic de 14% para 13,75%, dando continuidade ao ciclo de cortes. A atividade também mostrou sinais de perda de ritmo: o consumo das famílias recuou 0,4% no segundo trimestre e a produção industrial caiu 0,6% em agosto. Na inflação, o IPCA de agosto registrou queda de 0,32%, embora o IPCA-15 de setembro tenha voltado a subir, mostrando que o processo de desaceleração ainda não é uniforme.
Ao mesmo tempo, as eleições passaram a ter um peso cada vez maior nos mercados. As pesquisas divulgadas ao longo do mês apontaram, em grande parte, um cenário de disputa apertada em um eventual segundo turno entre Lula e Flávio Bolsonaro. Com o aumento da probabilidade de uma vitória de candidatos mais alinhados a pautas econômicas nas pesquisas, os investidores passaram a incorporar nos preços a possibilidade de um governo com uma postura mais favorável ao mercado. Esse movimento ajudou a bolsa brasileira e contribuiu para a queda dos juros de longo prazo.
Renda Fixa
A renda fixa brasileira teve um mês bastante positivo, principalmente nos títulos de prazo mais longo. Para entender esse movimento, vale lembrar que existe uma relação importante entre juros e preço dos títulos: quando as expectativas das taxas de juros de mercado caem, os preços dos títulos que já foram comprados tendem a subir. Foi justamente o que aconteceu em setembro.
Com isso, os títulos indexados à inflação, representados pelo IMA-B, tiveram alta de +3,18%, enquanto os prefixados, acompanhados pelo IRF-M, subiram +2,02%. O CDI, referência para os investimentos pós-fixados, avançou +1,08% no mês. Assim, setembro foi marcado por resultados positivos em diferentes segmentos da renda fixa, com destaque para os títulos de maior prazo.
Renda Variável
Na bolsa brasileira, setembro foi um mês positivo. O Ibovespa subiu +5,03%, encerrando o mês aos 186.340 pontos. O movimento foi influenciado principalmente pelas expectativas em torno das eleições e pela queda dos juros brasileiros, que ajudou empresas mais ligadas à economia doméstica. Outro destaque foi o retorno do investidor estrangeiro: foram cerca de US$ 1,8 bilhão em entradas na bolsa brasileira durante o mês.
No exterior, o cenário foi diferente. O S&P 500 recuou -0,45%, enquanto o MSCI AC, índice que reúne mercados desenvolvidos e emergentes, caiu -1,08%. O MSCI EM que representa os mercados emergentes, também teve queda de 0,50%. Entre os principais destaques do mês, o setor de tecnologia apresentou comportamento mais positivo nos Estados Unidos, enquanto os juros mais altos pressionaram outras empresas e mercados. O ouro, que vinha apresentando forte valorização, caiu -6,55% em setembro.
