Cenário Externo
Outubro foi marcado por uma mudança importante no comportamento dos mercados internacionais. Depois da forte alta dos juros de longo prazo em setembro, as principais economias desenvolvidas registraram um movimento de alívio, devolvendo parte dos aumentos do mês anterior. Esse movimento foi influenciado por um discurso mais moderado do Federal Reserve, o banco central americano, e também por uma maior cautela dos investidores em relação ao volume de recursos direcionados à inteligência artificial.
Nos Estados Unidos, a economia continuou mostrando força. O PIB do terceiro trimestre cresceu 3,4% em ritmo anualizado, impulsionado principalmente pelo consumo das famílias e pelos investimentos das empresas. Ao mesmo tempo, a inflação voltou a mostrar pressão. Diante desse cenário, o banco central americano manteve os juros entre 3,75% e 4,00% na reunião de outubro, após ter iniciado um novo ciclo de alta em setembro. A decisão representa uma pausa, e não o fim do aperto: a expectativa predominante é de uma nova alta de juros em dezembro.
Outro ponto importante foi o comportamento dos investimentos em inteligência artificial. Embora o setor continue movimentando grandes volumes de recursos, começaram a surgir questionamentos sobre o ritmo e o retorno desses investimentos. Isso provocou maior seletividade entre os investidores, com parte dos recursos migrando de empresas de tecnologia para setores considerados mais defensivos.
Cenário Local
No Brasil, outubro foi um mês bastante turbulento, principalmente por conta do cenário eleitoral. A economia também começou a apresentar sinais mais claros de desaceleração. Os dados de indústria, comércio e serviços vieram abaixo das expectativas, refletindo os efeitos dos juros elevados sobre o consumo e as condições de crédito. Em outras palavras, famílias e empresas passaram a sentir mais o custo de financiar suas atividades, o que contribuiu para reduzir o ritmo da economia.
A inflação também voltou a preocupar. A combinação de um real mais desvalorizado, pressão nos preços de alimentos e combustíveis e aumento das expectativas de inflação trouxe um cenário menos favorável. O petróleo, que subiu +13,6% no mês, reforçou essa pressão. Além disso, as incertezas sobre os próximos passos da política econômica e, principalmente, sobre o controle das contas públicas aumentaram a preocupação dos investidores.
As eleições tiveram impacto direto nos mercados. Após o primeiro turno, houve uma reação bastante positiva: a bolsa subiu, o dólar caiu e os juros recuaram. Porém, depois do segundo turno, o movimento se inverteu de forma intensa, com uma forte queda da bolsa, alta do dólar e aumento dos juros de longo prazo. No câmbio, o dólar (Ptax) encerrou o mês em alta de +4,64%. Esse comportamento mostra como as expectativas em relação à condução da economia e às contas públicas podem influenciar rapidamente os preços dos investimentos.
Renda Fixa
Diferentemente de setembro, quando os juros de longo prazo caíram e os títulos tiveram um desempenho positivo, em outubro as taxas voltaram a subir, especialmente após o segundo turno das eleições.
A taxa dos títulos prefixados de longo prazo chegou a aproximadamente 15,3% ao ano, enquanto os juros reais dos títulos atrelados à inflação alcançaram 7,8%. Esse movimento está relacionado principalmente ao aumento das preocupações com as contas públicas e com a trajetória futura da inflação.
Para entender o impacto nos investimentos, é importante lembrar que existe uma relação inversa entre juros e preço dos títulos: quando as taxas de mercado sobem, os preços dos títulos já emitidos tendem a cair. Por isso, os investimentos com maior exposição a títulos de prazos longos sentiram mais os efeitos dessa abertura dos juros. Com isso, o IRF-M, que acompanha os títulos prefixados, recuou -1,52%, enquanto o IMA-B, que representa os títulos públicos ligados à inflação, caiu -1,03%. Já o CDI, referência para os investimentos pós-fixados, avançou +1,02% no mês.
Renda Variável
Na bolsa brasileira, outubro foi marcado por fortes oscilações. Após uma reação positiva no início do mês, com alta de +7,7% do Ibovespa no dia seguinte ao primeiro turno, o mercado sofreu uma queda expressiva depois do segundo turno, de +13,9% em um único pregão. Com isso, o Ibovespa encerrou outubro em queda de -9,88%.
No exterior, as principais bolsas recuaram, puxadas pelas empresas de tecnologia. O MSCI AC, índice que reúne mercados desenvolvidos e emergentes, caiu -1,70%, e o S&P 500 recuou -0,94%. Os mercados emergentes tiveram desempenho ainda mais fraco, com o MSCI EM em queda de -8,10%, pressionado por países com grande peso de tecnologia, como Coreia e Taiwan. Na contramão, a Europa subiu, com alta de +2,00% do Stoxx 600, refletindo a migração de recursos para setores mais defensivos.
