Cenário Externo

Maio foi marcado pela combinação de dois temas que dominaram a atenção dos mercados: a continuidade das tensões no Oriente Médio e a força dos resultados corporativos das grandes empresas de tecnologia. O conflito envolvendo Irã, Estados Unidos e o Estreito de Ormuz manteve elevada a preocupação com a oferta global de petróleo, gerando impactos relevantes sobre expectativas de inflação e política monetária ao redor do mundo. Ao mesmo tempo, os investidores acompanharam sinais de que os efeitos inflacionários do choque de energia podem ser mais limitados do que inicialmente se imaginava, o que ajudou a reduzir parte da aversão ao risco observada nos meses anteriores.

Nos Estados Unidos, a economia continuou apresentando resiliência. O mercado de trabalho permaneceu sólido, a atividade econômica seguiu em expansão e o Federal Reserve manteve os juros inalterados, reforçando a percepção de que não há urgência nem para novos aumentos nem para cortes adicionais de taxas. Paralelamente, a temporada de resultados do primeiro trimestre trouxe números acima das expectativas, especialmente entre as empresas ligadas à inteligência artificial. Esse movimento fortaleceu novamente o interesse dos investidores por tecnologia, impulsionando os mercados desenvolvidos e mantendo o foco na capacidade das empresas de transformar

Cenário Local

No Brasil, maio foi um mês mais desafiador para os ativos domésticos. Apesar de o país continuar sendo visto por parte dos investidores estrangeiros como um beneficiário relativo do cenário global, especialmente por sua posição como exportador de commodities e petróleo, fatores internos passaram a ganhar mais relevância na formação de preços.

A principal preocupação esteve relacionada à inflação. O aumento dos preços de energia e seus efeitos indiretos sobre custos de transporte e alimentos contribuíram para uma deterioração das expectativas inflacionárias. Ao mesmo tempo, a atividade econômica permaneceu mais resiliente do que o esperado, com mercado de trabalho aquecido e consumo ainda sustentado. Esse conjunto de fatores reduziu o espaço para uma continuidade mais intensa do processo de flexibilização monetária.

Outro tema que começou a ganhar destaque foi o ambiente eleitoral. Embora ainda distante do período de votação, a aproximação das eleições passou a ser monitorada com maior atenção pelos investidores, especialmente por seus possíveis reflexos sobre expectativas fiscais, câmbio e fluxo de capitais. Como resultado, o mercado local encerrou o mês em um ambiente de maior cautela, refletindo tanto as incertezas externas quanto os desafios domésticos.

Renda Fixa

O mercado de renda fixa foi influenciado principalmente pela revisão das expectativas para inflação e juros. Ao longo do mês, a curva de juros apresentou movimentos de abertura em diversos vencimentos, refletindo a percepção de que o Banco Central poderá adotar uma postura mais cautelosa diante da persistência das pressões inflacionárias.

Nesse contexto, os ativos pós-fixados continuaram apresentando desempenho consistente, beneficiados pelo elevado nível das taxas de juros. O CDI registrou retorno de +1,1% no mês. Entre os títulos prefixados, o IRF-M avançou +0,7%, enquanto os títulos indexados à inflação, representados pelo IMA-B, tiveram retorno de +0,3%. O comportamento dos mercados mostrou uma diferenciação importante entre os diversos segmentos da renda fixa, com os investidores exigindo prêmios maiores para vencimentos mais longos diante do aumento das incertezas relacionadas à inflação e à trajetória futura da política monetária.

Renda Variável

Na renda variável, o mês reforçou a diferença de desempenho entre os mercados globais e a bolsa brasileira. Enquanto os principais índices internacionais foram impulsionados pela recuperação das empresas de tecnologia e pelas revisões positivas de lucro, o mercado local teve desempenho mais moderado, refletindo a maior sensibilidade às expectativas de inflação e juros domésticos.

No cenário global, o forte desempenho das empresas ligadas à inteligência artificial reacendeu o interesse dos investidores por mercados mais expostos à tecnologia, como Estados Unidos, Coreia do Sul e Taiwan. Esse movimento provocou uma rotação de capital para esses mercados e reduziu o fluxo direcionado a países ligados à tese de commodities, como o Brasil. O desempenho do MSCI AC, S&P 500 e MSCI EM foi +6,4%, +6,6% e +8,7%, respectivamente.

Já no mercado brasileiro, o cenário foi menos favorável. O Ibovespa registrou queda de -7,2% em maio, refletindo uma combinação de saída parcial de recursos estrangeiros, aumento das preocupações com inflação e juros e uma temporada de resultados corporativos considerada apenas moderada. Após um início de ano marcado por forte entrada de capital internacional, o fluxo estrangeiro perdeu intensidade ao longo do mês, contribuindo para a realização de lucros e para o enfraquecimento do desempenho da bolsa local. O contraste entre a força das bolsas internacionais e a maior cautela observada no Brasil evidenciou como fatores globais e domésticos influenciaram de maneira diferente os mercados ao longo do período.

Cenário Externo

Abril foi marcado por uma forte recuperação dos mercados globais, mesmo em meio à continuidade das tensões no Oriente Médio e aos impactos do conflito entre Estados Unidos e Irã sobre os preços de energia. O petróleo permaneceu em níveis elevados ao longo do mês, sustentando preocupações inflacionárias e reduzindo o espaço para cortes de juros em diversas economias desenvolvidas.

Os bancos centrais seguiram adotando um discurso cauteloso, diante da persistência da inflação de serviços e dos efeitos indiretos da alta do petróleo sobre a atividade econômica e as expectativas de preços.

Ainda assim, os investidores voltaram a concentrar atenção nos fundamentos das empresas, especialmente no setor de tecnologia, impulsionados por resultados corporativos acima das expectativas e pela retomada do entusiasmo em torno da inteligência artificial.

Cenário Local

No Brasil, abril foi um mês de contrastes. A bolsa local iniciou o período sustentada por forte entrada de capital estrangeiro e chegou a se aproximar novamente das máximas históricas. No entanto, ao longo da segunda metade do mês, o movimento global de rotação para ativos ligados à tecnologia e inteligência artificial reduziu o interesse relativo por mercados mais associados a commodities, como o brasileiro.

O ambiente doméstico continuou sendo influenciado pela revisão altista das expectativas de inflação e juros, principalmente após a alta dos combustíveis e a persistência de pressões inflacionárias nos serviços. O Banco Central manteve o ciclo de política monetária restritivo, sinalizando cautela diante do cenário fiscal e da resiliência da atividade.

Mercados

Enquanto os principais índices internacionais foram impulsionados pela recuperação das empresas de tecnologia e pelas revisões positivas de lucro, o mercado local teve desempenho mais moderado, refletindo a maior sensibilidade às expectativas de inflação e juros domésticos.

Nos Estados Unidos, a temporada de resultados do primeiro trimestre trouxe números robustos, especialmente nas empresas ligadas à inteligência artificial e semicondutores, reforçando o movimento de valorização do setor de tecnologia.

Nesse contexto, os mercados internacionais registraram desempenho bastante positivo, com o MSCI AC avançando +10,03%, o S&P 500 subindo +10,42% e o MSCI EM registrando alta de +14,53%. O movimento foi particularmente forte nos mercados asiáticos ligados à cadeia global de semicondutores, como Coreia do Sul e Taiwan, beneficiados pela melhora nas perspectivas para empresas de tecnologia e pela revisão positiva de lucros globais.

Já no Brasil, os setores defensivos e financeiros ajudaram a sustentar o índice, enquanto empresas mais dependentes do ciclo doméstico e dos juros permaneceram pressionadas. Nesse cenário, o Ibovespa encerrou abril praticamente estável, com variação de -0,08%, refletindo um equilíbrio entre o fluxo estrangeiro positivo, a melhora dos lucros corporativos e o aumento das incertezas relacionadas ao cenário inflacionário e aos juros.

Próximo passo

Quer entender como isso afeta o seu patrimônio?

Agendar Conversa