Com a recente decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de manter a taxa Selic em 13,75%, muitas discussões têm surgido sobre se os juros estão excessivamente altos no Brasil.

Para entender essa questão, é importante lembrar que em um regime de metas de inflação, o Banco Central tem como missão garantir que a inflação convirja para a meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).

CMN é um órgão composto pelo ministro da Fazenda, ministro do Planejamento e presidente do Banco Central (BC), e é responsável por definir a meta de inflação. Já cabe ao BC executar as orientações do CMN e adotar as medidas necessárias para cumprir a meta estabelecida.

Nos últimos dois anos, o BC não conseguiu cumprir essa meta e, para evitar que isso aconteça novamente em 2024, o BC indica a necessidade de manter a taxa Selic estável em 13,75% por um longo tempo. Segundo as projeções da entidade, essa medida permitiria que a inflação caísse para 3,3% no terceiro trimestre de 2024 e alcançasse a meta de 3% até o final do mesmo ano.

Em linhas gerais, o BC acredita que manter a taxa de juros nesse patamar é necessário para garantir que a inflação convirja para a meta.

No entanto, os agentes econômicos estão céticos quanto ao cumprimento da meta de inflação em 2024. O Boletim Focus, que reúne as estimativas de mais de cem instituições financeiras, projeta uma inflação de 6% para 2023 e de 4,1% para 2024 (relatório de 20 de março).

Além disso, os analistas não acreditam que o BC manterá a taxa Selic estável por um longo período. De acordo com o mesmo Boletim Focus, as projeções para a taxa Selic estão em 12,75% para o fim de 2023 e 10% para o fim de 2024.

A pergunta que fica, é a seguinte: Por qual a razão que os agentes econômicos acreditam que o Banco Central vai cortar juros e deixar de perseguir a meta de 3%?

Em nossa opinião, parece que os agentes econômicos não acreditam que a trajetória de juros definida pelo Banco Central seja viável. O atual patamar elevado de 13,75% traz custos significativos para a economia, restringindo o crescimento e aumentando os gastos do governo com a dívida pública.

Manter juros altos por muito tempo é difícil e caro.

Porém, a questão é como reduzir os juros sem prejudicar o equilíbrio macroeconômico. Acreditamos que dois passos seriam necessários:

Primeiro, um ajuste fiscal forte e crível seria necessário para controlar os gastos públicos. Essa ação traria uma posição de que o país busca a sustentabilidade da dívida pública no longo prazo. Isso reduziria o risco fiscal, atrairia mais dólares para a economia, valorizaria o real e ajudaria a diminuir a inflação mais rapidamente. Além disso, um bom ajuste fiscal permitiria uma redução permanente da taxa de juros, não apenas a curto prazo.

Em segundo lugar, elevar a meta de inflação por um período transitório, dando tempo para a economia se recuperar gradualmente dos choques. Essa abordagem permitiria que a autoridade monetária buscasse a meta de 3% de forma suave, sem pressionar demais a economia. Países como os EUA e a Europa estão adotando essa estratégia, promovendo o aperto monetário atual para alcançar a meta em 2025, por exemplo.

Reduzir juros sem colocar em risco o combate à inflação será um enorme desafio, por isso o governo deve trabalhar em conjunto com o Banco Central e não simplesmente atacá-lo como tem feito.

Um grande abraço a todos nossos leitores e clientes,

Cenário Externo

Abril foi marcado por uma forte recuperação dos mercados globais, mesmo em meio à continuidade das tensões no Oriente Médio e aos impactos do conflito entre Estados Unidos e Irã sobre os preços de energia. O petróleo permaneceu em níveis elevados ao longo do mês, sustentando preocupações inflacionárias e reduzindo o espaço para cortes de juros em diversas economias desenvolvidas.

Os bancos centrais seguiram adotando um discurso cauteloso, diante da persistência da inflação de serviços e dos efeitos indiretos da alta do petróleo sobre a atividade econômica e as expectativas de preços.

Ainda assim, os investidores voltaram a concentrar atenção nos fundamentos das empresas, especialmente no setor de tecnologia, impulsionados por resultados corporativos acima das expectativas e pela retomada do entusiasmo em torno da inteligência artificial.

Cenário Local

No Brasil, abril foi um mês de contrastes. A bolsa local iniciou o período sustentada por forte entrada de capital estrangeiro e chegou a se aproximar novamente das máximas históricas. No entanto, ao longo da segunda metade do mês, o movimento global de rotação para ativos ligados à tecnologia e inteligência artificial reduziu o interesse relativo por mercados mais associados a commodities, como o brasileiro.

O ambiente doméstico continuou sendo influenciado pela revisão altista das expectativas de inflação e juros, principalmente após a alta dos combustíveis e a persistência de pressões inflacionárias nos serviços. O Banco Central manteve o ciclo de política monetária restritivo, sinalizando cautela diante do cenário fiscal e da resiliência da atividade.

Mercados

Enquanto os principais índices internacionais foram impulsionados pela recuperação das empresas de tecnologia e pelas revisões positivas de lucro, o mercado local teve desempenho mais moderado, refletindo a maior sensibilidade às expectativas de inflação e juros domésticos.

Nos Estados Unidos, a temporada de resultados do primeiro trimestre trouxe números robustos, especialmente nas empresas ligadas à inteligência artificial e semicondutores, reforçando o movimento de valorização do setor de tecnologia.

Nesse contexto, os mercados internacionais registraram desempenho bastante positivo, com o MSCI AC avançando +10,03%, o S&P 500 subindo +10,42% e o MSCI EM registrando alta de +14,53%. O movimento foi particularmente forte nos mercados asiáticos ligados à cadeia global de semicondutores, como Coreia do Sul e Taiwan, beneficiados pela melhora nas perspectivas para empresas de tecnologia e pela revisão positiva de lucros globais.

Já no Brasil, os setores defensivos e financeiros ajudaram a sustentar o índice, enquanto empresas mais dependentes do ciclo doméstico e dos juros permaneceram pressionadas. Nesse cenário, o Ibovespa encerrou abril praticamente estável, com variação de -0,08%, refletindo um equilíbrio entre o fluxo estrangeiro positivo, a melhora dos lucros corporativos e o aumento das incertezas relacionadas ao cenário inflacionário e aos juros.

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