Cenário Externo

Setembro foi um mês em que os mercados globais continuaram a reagir aos movimentos de política monetária nos Estados Unidos e às tensões comerciais que seguem moldando o cenário econômico. O Federal Reserve confirmou o início do ciclo de corte de juros, reduzindo a taxa básica em 0,25 ponto percentual, para o intervalo entre 4,00% e 4,25%. Embora a inflação ainda mostre resistência, especialmente por conta do repasse das tarifas impostas pelo governo, a preocupação maior passou a ser a desaceleração do mercado de trabalho. A criação de vagas segue perdendo fôlego, com a taxa de desemprego atingindo 4,3%, maior nível desde 2020. Essa mudança de prioridade na política monetária do Fed reflete um ambiente em que o emprego frágil e a atividade mais fraca começam a pesar mais do que a inflação, reforçando a expectativa de novos cortes até o fim do ano.

Esse movimento tem impactos diretos sobre o dólar, que perde atratividade relativa como destino de investimentos globais. A combinação de juro menor, incertezas fiscais nos Estados Unidos e aumento da dívida pública reduziu o carrego da moeda americana e fortaleceu a busca dos investidores por alternativas.

Ao mesmo tempo, os resultados robustos de grandes empresas de tecnologia e o entusiasmo em torno da inteligência artificial seguem dando suporte às bolsas americanas, que atingiram novas máximas históricas.

Cenário Local

No Brasil, o ambiente externo mais favorável contribuiu para sustentar o desempenho positivo dos ativos. A expectativa de que a queda de juros nos Estados Unidos alivie a pressão cambial trouxe ânimo adicional para o real, que se valorizou frente ao dólar ao longo do mês.

No campo interno, dois pontos merecem destaque. O primeiro é a comunicação mais cautelosa do Banco Central. Apesar de a inflação ter mostrado sinais de desaceleração, com o IPCA-15 de setembro vindo abaixo das expectativas, a autoridade monetária tem reforçado a necessidade de prudência antes de iniciar um ciclo de cortes mais consistente da Selic. O segundo ponto foi a aprovação, por unanimidade na Câmara, da isenção de imposto de renda para quem recebe até R$ 5 mil mensais a partir do próximo ano. Essa medida amplia a renda disponível da população, mas também reforça a percepção de uma política fiscal mais expansionista.

Esse equilíbrio delicado entre estímulo fiscal e cautela monetária segue sendo a marca do atual governo. De um lado, a política busca incentivar o consumo e a atividade; de outro, o Banco Central mantém o freio para evitar pressões adicionais sobre os preços.

Renda Fixa

O mercado de juros viveu setembro de forma dividida entre as sinalizações externas e os desafios internos. A queda das taxas nos Estados Unidos trouxe alívio para os ativos de renda fixa global, mas a comunicação do Banco Central brasileiro mais conservadora manteve a curva de juros local relativamente pressionada.

No mês, o CDI acumulou rentabilidade de 1,22%. Os índices de renda fixa sofreram com alguma volatilidade: o IRFM apresentou variação de 1,26%, enquanto o IMA-B, que reflete os títulos indexados à inflação, registrou 0,54%. Ainda que a dinâmica da inflação mostre melhora, o mercado segue atento à condução da política fiscal e à velocidade de um possível ciclo de flexibilização monetária no Brasil.

Renda Variável

As bolsas ao redor do mundo seguiram se beneficiando do cenário de queda de juros nos Estados Unidos e do enfraquecimento do dólar. Ao mesmo tempo, os resultados robustos de grandes empresas de tecnologia e o entusiasmo em torno da inteligência artificial seguem dando suporte às bolsas americanas, que atingiram novas máximas históricas. O S&P 500, por exemplo, encerrou setembro em alta de 3,53%, enquanto o índice global MSCI ACWI apresentou valorização de 3,49%.

Para os mercados emergentes, esse ambiente tem se mostrado particularmente positivo. O dólar mais fraco amplia a atratividade de ativos de países em desenvolvimento, ao mesmo tempo em que os valuations seguem descontados em relação aos mercados desenvolvidos. O índice MSCI EM subiu 6,96% em setembro, consolidando uma sequência de meses de valorização e sinalizando maior diversificação principalmente pelos fluxos para Ásia e América Latina.

Nesse ambiente, os estrangeiros voltaram a aportar recursos na bolsa brasileira, com entradas líquidas de aproximadamente R$ 5 bilhões em setembro. No acumulado do ano, o saldo já alcança R$ 25 bilhões, refletindo a atratividade relativa do mercado local em um mundo de dólar mais fraco.

O Ibovespa registrou desempenho positivo, encerrando o mês com alta de 3,40%. O movimento foi sustentado tanto pela entrada de investidores estrangeiros quanto pela percepção de que a bolsa local segue descontada em relação a pares internacionais. Excluindo Petrobras e Vale, o índice negocia com múltiplos abaixo da média histórica, o que reforça a atratividade relativa do mercado brasileiro.

Apesar das incertezas políticas que tendem a ganhar espaço à medida que se aproxima a eleição presidencial de 2026, o saldo de setembro foi construtivo para os ativos locais e globais. O pano de fundo de juros mais baixos nos Estados Unidos, dólar mais fraco e valuations atrativos em emergentes manteve viva a narrativa positiva para os investidores que buscam diversificação e proteção em um ambiente global em transição.

Cenário Externo

Abril foi marcado por uma forte recuperação dos mercados globais, mesmo em meio à continuidade das tensões no Oriente Médio e aos impactos do conflito entre Estados Unidos e Irã sobre os preços de energia. O petróleo permaneceu em níveis elevados ao longo do mês, sustentando preocupações inflacionárias e reduzindo o espaço para cortes de juros em diversas economias desenvolvidas.

Os bancos centrais seguiram adotando um discurso cauteloso, diante da persistência da inflação de serviços e dos efeitos indiretos da alta do petróleo sobre a atividade econômica e as expectativas de preços.

Ainda assim, os investidores voltaram a concentrar atenção nos fundamentos das empresas, especialmente no setor de tecnologia, impulsionados por resultados corporativos acima das expectativas e pela retomada do entusiasmo em torno da inteligência artificial.

Cenário Local

No Brasil, abril foi um mês de contrastes. A bolsa local iniciou o período sustentada por forte entrada de capital estrangeiro e chegou a se aproximar novamente das máximas históricas. No entanto, ao longo da segunda metade do mês, o movimento global de rotação para ativos ligados à tecnologia e inteligência artificial reduziu o interesse relativo por mercados mais associados a commodities, como o brasileiro.

O ambiente doméstico continuou sendo influenciado pela revisão altista das expectativas de inflação e juros, principalmente após a alta dos combustíveis e a persistência de pressões inflacionárias nos serviços. O Banco Central manteve o ciclo de política monetária restritivo, sinalizando cautela diante do cenário fiscal e da resiliência da atividade.

Mercados

Enquanto os principais índices internacionais foram impulsionados pela recuperação das empresas de tecnologia e pelas revisões positivas de lucro, o mercado local teve desempenho mais moderado, refletindo a maior sensibilidade às expectativas de inflação e juros domésticos.

Nos Estados Unidos, a temporada de resultados do primeiro trimestre trouxe números robustos, especialmente nas empresas ligadas à inteligência artificial e semicondutores, reforçando o movimento de valorização do setor de tecnologia.

Nesse contexto, os mercados internacionais registraram desempenho bastante positivo, com o MSCI AC avançando +10,03%, o S&P 500 subindo +10,42% e o MSCI EM registrando alta de +14,53%. O movimento foi particularmente forte nos mercados asiáticos ligados à cadeia global de semicondutores, como Coreia do Sul e Taiwan, beneficiados pela melhora nas perspectivas para empresas de tecnologia e pela revisão positiva de lucros globais.

Já no Brasil, os setores defensivos e financeiros ajudaram a sustentar o índice, enquanto empresas mais dependentes do ciclo doméstico e dos juros permaneceram pressionadas. Nesse cenário, o Ibovespa encerrou abril praticamente estável, com variação de -0,08%, refletindo um equilíbrio entre o fluxo estrangeiro positivo, a melhora dos lucros corporativos e o aumento das incertezas relacionadas ao cenário inflacionário e aos juros.

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