Cenário Externo
Junho foi marcado por um ambiente de menor tensão nos mercados internacionais, impulsionado principalmente pela reabertura do Estreito de Ormuz. A normalização da importante rota para o comércio global contribuiu para uma nova queda nos preços do petróleo, favorecendo uma revisão mais benigna das expectativas de inflação nas principais economias. Esse movimento reforçou a percepção de que o comportamento dos preços continuará sendo um dos principais fatores acompanhados pelos bancos centrais, especialmente em um contexto no qual a atividade econômica segue resiliente, mas ainda convive com desafios relacionados à política monetária.
Outro destaque do mês foram as primeiras manifestações públicas de Kevin Warsh à frente do Federal Reserve. Seu discurso trouxe um tom mais firme em relação à condução da política monetária americana e levantou discussões sobre uma possível mudança na forma como o banco central dos Estados Unidos pretende lidar com inflação, crescimento e estabilidade financeira nos próximos anos. A comunicação também contribuiu para fortalecer o dólar, movimento que voltou a pressionar parte das economias emergentes e influenciou o comportamento dos mercados globais.
A inteligência artificial permaneceu como um dos principais temas de interesse dos investidores. Ao mesmo tempo em que os elevados investimentos em infraestrutura, energia e tecnologia podem exercer alguma pressão sobre a inflação no curto prazo, cresce a expectativa de que os ganhos de produtividade decorrentes dessa transformação tecnológica se tornem mais evidentes ao longo dos próximos anos.
Cenário Local
No Brasil, o ambiente econômico continuou sendo influenciado tanto pelo cenário internacional quanto pelos desafios domésticos relacionados à política econômica e ao quadro fiscal. Ao longo do mês, os dados de inflação indicaram uma desaceleração nos preços de itens mais voláteis, como alimentos e combustíveis, enquanto a inflação de serviços permaneceu pressionada, refletindo um mercado de trabalho ainda aquecido. Esse comportamento manteve as expectativas de inflação acima da meta, exigindo cautela por parte do Banco Central.
No campo fiscal, as discussões continuaram concentradas na sustentabilidade das contas públicas. Houve preocupação com o cumprimento das metas fiscais e com a trajetória da dívida pública, especialmente diante de pressões por aumento de gastos.
Já os dados de atividade econômica indicaram uma economia ainda resiliente, com destaque para o consumo e o mercado de trabalho, que seguem sustentando o crescimento no curto prazo. No entanto, essa resiliência também reforça o desafio de convergência da inflação para a meta, uma vez que a demanda aquecida tende a dificultar uma desaceleração mais rápida dos preços.
Renda Fixa
O mercado de renda fixa refletiu a combinação entre o cenário internacional mais favorável para a inflação e os fatores domésticos relacionados à política monetária e ao risco fiscal. A curva de juros apresentou oscilações ao longo do mês, acompanhando as revisões nas expectativas para inflação e para o comportamento das taxas de juros nos próximos anos.
Os principais índices de renda fixa apresentaram os seguintes desempenhos: CDI: +1,12%; IRFM: +0,69%; IMA-B: -1,04%. Esses resultados refletiram o ambiente de ajustes nas expectativas dos investidores, tanto em relação ao cenário externo quanto às perspectivas para a economia brasileira, reforçando a importância do comportamento da curva de juros na precificação dos diferentes ativos de renda fixa.
Renda Variável
Os mercados de ações encerraram junho influenciados principalmente pelos desdobramentos internacionais. Nos Estados Unidos, o IPO da SpaceX ampliou as discussões sobre concentração de mercado, e critérios de avaliação das grandes empresas de tecnologia. Ao mesmo tempo, investidores seguiram acompanhando os possíveis impactos econômicos dessa nova onda de investimentos em inteligência artificial.
No mercado brasileiro, o comportamento da bolsa refletiu tanto o ambiente externo quanto os fatores domésticos, incluindo a evolução das expectativas para inflação, juros e política fiscal.
Os principais índices registraram os seguintes desempenhos: Ibovespa: -1,01%; MSCI AC: -0,77%; S&P 500: -1,06%; MSCI EM: -1,36%.
