Antes do envio do novo arcabouço fiscal ao Congresso, o governo brasileiro já havia adiantado alguns pontos referentes à proposta de organização das finanças públicas. De acordo com o Ministro da Fazenda, a proposta apresentaria um limite para o crescimento das despesas, baseado no crescimento das receitas passadas, bem como uma meta para o resultado primário (arrecadação menos despesas).
A novidade dessa vez é que algumas exceções foram incluídas na proposta. Uma delas chama a atenção: caso a meta para o resultado primário não seja cumprida, não haverá qualquer tipo de responsabilização. Segundo o texto, "o descumprimento da meta não configura infração a esta lei complementar".
As metas presentes no projeto são de 0,5% do PIB para 2023, 0,0% do PIB para 2024, 0,5% do PIB para 2025 e 1,0% para 2026, com um intervalo de tolerância de 0,25% para mais ou para menos. Se o resultado primário ficar fora dessa banda, o governo terá o dever apenas de reduzir gastos. O limite de crescimento anual das despesas passa de 70% do aumento real da arrecadação do ano anterior para 50%. Uma dúvida que existe hoje é se o governo vai conseguir entregar essa meta de resultado primário que é fundamental para a estabilização da dívida pública.
Isso acende um alerta, pois as metas definidas são ambiciosas e exigirão forte elevação de receitas. Além das novas formas de arrecadação já divulgadas, será preciso gerar mais receita. A questão que surge é de onde virá todo esse dinheiro.
E como fica o dólar nessa história?
O arcabouço fiscal tem tudo a ver com o câmbio. Quando a saúde das contas públicas de um país não está boa, isso tende a afastar investidores, o que provoca a depreciação da moeda local. Desde outubro de 2022, quando o dólar atingiu seu ponto mais alto contra outras moedas, a trajetória do dólar foi de baixa. Porém, isso não ocorreu por conta de uma suposta força do real, mas sim porque o dólar enfraqueceu. As moedas dos emergentes também se apreciaram em relação ao dólar, e até mais que o real.
O desempenho do real tem sido constantemente pior que o de seus pares. Enquanto a cesta de moedas de emergentes se valorizou em 7% nos últimos sete meses, o real se valorizou em 4%. Além disso, desde 13 de abril, o real começou a se depreciar novamente, algo que não ocorreu com as moedas dos vizinhos.
Uma das maiores dificuldades dentro do mercado é fazer uma previsão assertiva do dólar devido a existência de diversas variáveis. De toda forma, é importante destacar que o cenário global e a pressão sobre a dívida no Brasil não devem ajudar o câmbio. Não será fácil para o real. O dólar global ainda em nível alto, o aumento da dívida líquida e a queda da Selic devem prejudicar o desempenho do real à frente.
Um grande abraço a todos nossos leitores e clientes,
Cenário Externo
Abril foi marcado por uma forte recuperação dos mercados globais, mesmo em meio à continuidade das tensões no Oriente Médio e aos impactos do conflito entre Estados Unidos e Irã sobre os preços de energia. O petróleo permaneceu em níveis elevados ao longo do mês, sustentando preocupações inflacionárias e reduzindo o espaço para cortes de juros em diversas economias desenvolvidas.
Os bancos centrais seguiram adotando um discurso cauteloso, diante da persistência da inflação de serviços e dos efeitos indiretos da alta do petróleo sobre a atividade econômica e as expectativas de preços.
Ainda assim, os investidores voltaram a concentrar atenção nos fundamentos das empresas, especialmente no setor de tecnologia, impulsionados por resultados corporativos acima das expectativas e pela retomada do entusiasmo em torno da inteligência artificial.
Cenário Local
No Brasil, abril foi um mês de contrastes. A bolsa local iniciou o período sustentada por forte entrada de capital estrangeiro e chegou a se aproximar novamente das máximas históricas. No entanto, ao longo da segunda metade do mês, o movimento global de rotação para ativos ligados à tecnologia e inteligência artificial reduziu o interesse relativo por mercados mais associados a commodities, como o brasileiro.
O ambiente doméstico continuou sendo influenciado pela revisão altista das expectativas de inflação e juros, principalmente após a alta dos combustíveis e a persistência de pressões inflacionárias nos serviços. O Banco Central manteve o ciclo de política monetária restritivo, sinalizando cautela diante do cenário fiscal e da resiliência da atividade.
Mercados
Enquanto os principais índices internacionais foram impulsionados pela recuperação das empresas de tecnologia e pelas revisões positivas de lucro, o mercado local teve desempenho mais moderado, refletindo a maior sensibilidade às expectativas de inflação e juros domésticos.
Nos Estados Unidos, a temporada de resultados do primeiro trimestre trouxe números robustos, especialmente nas empresas ligadas à inteligência artificial e semicondutores, reforçando o movimento de valorização do setor de tecnologia.
Nesse contexto, os mercados internacionais registraram desempenho bastante positivo, com o MSCI AC avançando +10,03%, o S&P 500 subindo +10,42% e o MSCI EM registrando alta de +14,53%. O movimento foi particularmente forte nos mercados asiáticos ligados à cadeia global de semicondutores, como Coreia do Sul e Taiwan, beneficiados pela melhora nas perspectivas para empresas de tecnologia e pela revisão positiva de lucros globais.
Já no Brasil, os setores defensivos e financeiros ajudaram a sustentar o índice, enquanto empresas mais dependentes do ciclo doméstico e dos juros permaneceram pressionadas. Nesse cenário, o Ibovespa encerrou abril praticamente estável, com variação de -0,08%, refletindo um equilíbrio entre o fluxo estrangeiro positivo, a melhora dos lucros corporativos e o aumento das incertezas relacionadas ao cenário inflacionário e aos juros.
Próximo passo
Quer entender como isso afeta o seu patrimônio?
Agendar Conversa
>