O mês de maio começou com uma notícia positiva para os mercados globais: o índice de inflação CPI dos Estados Unidos avançou apenas 0,3% em abril, abaixo dos 0,4% registrados em março. Simultaneamente, o índice de inflação PCE, preferido pelo Banco Central Americano (Federal Reserve), também apresentou aumento de 0,3%, alinhado às expectativas e reforçando a tendência de que a inflação está se aproximando da meta anual de 2% estabelecida pelo banco central americano.

Apesar dos sinais de desaceleração da inflação, a atividade econômica nos EUA continua robusta, e o Federal Reserve (Fed) segue inclinado a manter ou aumentar as taxas de juros, atualmente entre 5,25% e 5,5%, indicando que um ciclo de redução dos juros ainda parece distante, o que pressionou para baixo as bolsas nos últimos dias de maio.

Os mercados, no entanto, foram sustentados por desempenhos excepcionais de grandes empresas de tecnologia, como Apple e Nvidia, cujos resultados financeiros superaram as expectativas. A próxima reunião do Fed, prevista para meados de junho, é crucial para indicar a direção futura das taxas de juros.

No Brasil, o mês foi marcado pela aversão ao risco, refletida na retirada de capital de mercados emergentes diante das incertezas econômicas e juros elevados nos EUA. Somado a isso, destacam-se as preocupações com o cumprimento da meta fiscal de déficit zero para este ano. Também foi um mês marcado pelo desastre climático e humanitário no Rio Grande do Sul, que pode ter um impacto no PIB do país e, em alguma medida, acelerar a inflação de alimentos. Além disso, a recente troca na presidência da Petrobras levantou preocupações sobre a ingerência política e as consequências para a meta fiscal, uma vez que previsões de lucros menores para a companhia podem comprometer os dividendos significativos para a para o próprio governo que é a controladora da petroleira.

Renda Fixa

O cenário macroeconômico doméstico e global não ajudou muito, o FOMC, comitê de política monetária americano, decidiu manter os juros dos Estados Unidos inalterado, no intervalo de 5,25% a 5,50%.

Na semana seguinte, foi a vez do Comitê de Política Monetária (Copom) nacional, do Banco Central (BC), anunciar sua decisão de frear no corte da taxa básica de juros por aqui, que vinha num ritmo de 0,5 ponto percentual e passou para 0,25 ponto percentual, levando a Selic para o patamar dos 10,5%.

Neste cenário, os títulos atrelados a inflação se destacaram: CDI (+0,83%), IMAB (+1,33%) e IRFM (+0,66%).

Multimercado

O índice IHFA apresentou um desempenho negativo, registrando uma rentabilidade de (-0,31%) até 28/05. No acumulado do ano observou-se uma rentabilidade de -0,52%, enquanto nos últimos 12 meses apresentou uma alta de +6,14%.

Para fins de alocação, a posição visa capturar a gestão ativa, sobretudo em cesta de moedas e curvas de juros estrangeiras que usualmente não temos exposição direta. Continua sendo importante geradora de resultado por uma questão de diversificação.

Renda Variável

Nos Estados Unidos, o Dow Jones cresceu 2,30%, enquanto o S&P 500 avançou 4,80% e o Nasdaq teve um aumento significativo de 6,88%, marcando o melhor desempenho para o mês desde 2005. No Brasil, o Ibovespa teve um mês difícil, recuando 3,04% e acumulando uma queda de 9,01% no ano de2024, um dos piores desempenhos para os primeiros cinco meses do ano desde 2010.

Cenário Externo

Abril foi marcado por uma forte recuperação dos mercados globais, mesmo em meio à continuidade das tensões no Oriente Médio e aos impactos do conflito entre Estados Unidos e Irã sobre os preços de energia. O petróleo permaneceu em níveis elevados ao longo do mês, sustentando preocupações inflacionárias e reduzindo o espaço para cortes de juros em diversas economias desenvolvidas.

Os bancos centrais seguiram adotando um discurso cauteloso, diante da persistência da inflação de serviços e dos efeitos indiretos da alta do petróleo sobre a atividade econômica e as expectativas de preços.

Ainda assim, os investidores voltaram a concentrar atenção nos fundamentos das empresas, especialmente no setor de tecnologia, impulsionados por resultados corporativos acima das expectativas e pela retomada do entusiasmo em torno da inteligência artificial.

Cenário Local

No Brasil, abril foi um mês de contrastes. A bolsa local iniciou o período sustentada por forte entrada de capital estrangeiro e chegou a se aproximar novamente das máximas históricas. No entanto, ao longo da segunda metade do mês, o movimento global de rotação para ativos ligados à tecnologia e inteligência artificial reduziu o interesse relativo por mercados mais associados a commodities, como o brasileiro.

O ambiente doméstico continuou sendo influenciado pela revisão altista das expectativas de inflação e juros, principalmente após a alta dos combustíveis e a persistência de pressões inflacionárias nos serviços. O Banco Central manteve o ciclo de política monetária restritivo, sinalizando cautela diante do cenário fiscal e da resiliência da atividade.

Mercados

Enquanto os principais índices internacionais foram impulsionados pela recuperação das empresas de tecnologia e pelas revisões positivas de lucro, o mercado local teve desempenho mais moderado, refletindo a maior sensibilidade às expectativas de inflação e juros domésticos.

Nos Estados Unidos, a temporada de resultados do primeiro trimestre trouxe números robustos, especialmente nas empresas ligadas à inteligência artificial e semicondutores, reforçando o movimento de valorização do setor de tecnologia.

Nesse contexto, os mercados internacionais registraram desempenho bastante positivo, com o MSCI AC avançando +10,03%, o S&P 500 subindo +10,42% e o MSCI EM registrando alta de +14,53%. O movimento foi particularmente forte nos mercados asiáticos ligados à cadeia global de semicondutores, como Coreia do Sul e Taiwan, beneficiados pela melhora nas perspectivas para empresas de tecnologia e pela revisão positiva de lucros globais.

Já no Brasil, os setores defensivos e financeiros ajudaram a sustentar o índice, enquanto empresas mais dependentes do ciclo doméstico e dos juros permaneceram pressionadas. Nesse cenário, o Ibovespa encerrou abril praticamente estável, com variação de -0,08%, refletindo um equilíbrio entre o fluxo estrangeiro positivo, a melhora dos lucros corporativos e o aumento das incertezas relacionadas ao cenário inflacionário e aos juros.

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