O cenário econômico global apresentou diversos desafios no último mês.

Nos Estados Unidos, a economia registrou um aumento de 272 mil empregos em maio. Este aumento, aliado a uma taxa de desemprego historicamente baixa de 4%, revelam um mercado de trabalho aquecido. Sendo assim, o Fed (banco central americano) optou por adotar uma postura cautelosa com a queda dos juros, dado que um mercado de trabalho aquecido tende a elevar a inflação.

Na Europa, apesar da desaceleração da inflação e o início do ciclo de corte de juros, que apontam para uma economia saudável, os riscos políticos, especialmente na França, resultaram em um aumento da incerteza econômica.

Já na China, a recuperação econômica apresentou-se abaixo das expectativas, com resultados mistos nos indicadores de atividade e persistentes desafios no setor imobiliário.

Enfim, no Brasil, a crise de confiança que começou em meados de abril, quando o governo decidiu alterar as metas fiscais primárias, permanece impactando negativamente o país. Tal impacto pode ser observado principalmente através da queda expressiva presenciada recentemente na bolsa de valores brasileira. Embora a confiança do mercado tenha sido parcialmente restaurada mediante à decisão unânime dos diretores do Banco Central em manter a taxa de juros no último Copom (Comitê de Política Monetária), uma recuperação completa provavelmente só ocorrerá uma vez que o governo reduzir seus gastos.

Renda Fixa

Em junho, presenciamos uma queda das expectativas de juros de longo prazo dos EUA, o que deveria influenciar positivamente na redução de juros no Brasil. Entretanto, devido a queda abrupta no valor do Real causada pela crise de confiança citada anteriormente, as expectativas de juros no Brasil elevaram-se consideravelmente.

Dado este cenário, somente o CDI apresentou desempenho positivo: CDI (+0,83%), IMAB (-0,97%) e IRFM (-0,27%).

Multimercado

O índice IHFA apresentou um desempenho positivo, registrando uma rentabilidade de 0,55% no mês. No acumulado do ano, observou-se uma queda de -0,01%, enquanto nos últimos 12 meses apresentou uma alta de +5,05%.

Para fins de alocação, a posição visa capturar a gestão ativa, sobretudo em cesta de moedas e curvas de juros estrangeiras que usualmente não temos exposição direta. Continua sendo importante geradora de resultado por proporcionar maior diversificação às carteiras.

Renda Variável

O mês de junho foi positivo para mercados globais, impulsionados pelo aumento de liquidez e pela expectativa de que, em breve, o banco central dos EUA cesse o ciclo de altas de juros. Nos Estados Unidos (S&P 500: +3,47%), a bolsa continuou seu rali de alta impulsionado por empresas de tecnologia.

No Brasil, o mês foi também positivo, com o Ibovespa valorizando-se em 1,48%. Apesar do desempenho de junho, o Ibovespa segue consideravelmente negativo em 2024, tendo já acumulado um recuo de 7,66% no ano. Esta queda se deve a múltiplos fatores:

  • A alta de juros nos Estados Unidos ao longo de 2024
  • A economia chinesa recuperando-se abaixo das expectativas
  • O aumento de expectativas de juros no Brasil
  • O aumento da percepção de risco fiscal no Brasil
  • O embate entre o presidente Lula e o Banco Central

Cenário Externo

Abril foi marcado por uma forte recuperação dos mercados globais, mesmo em meio à continuidade das tensões no Oriente Médio e aos impactos do conflito entre Estados Unidos e Irã sobre os preços de energia. O petróleo permaneceu em níveis elevados ao longo do mês, sustentando preocupações inflacionárias e reduzindo o espaço para cortes de juros em diversas economias desenvolvidas.

Os bancos centrais seguiram adotando um discurso cauteloso, diante da persistência da inflação de serviços e dos efeitos indiretos da alta do petróleo sobre a atividade econômica e as expectativas de preços.

Ainda assim, os investidores voltaram a concentrar atenção nos fundamentos das empresas, especialmente no setor de tecnologia, impulsionados por resultados corporativos acima das expectativas e pela retomada do entusiasmo em torno da inteligência artificial.

Cenário Local

No Brasil, abril foi um mês de contrastes. A bolsa local iniciou o período sustentada por forte entrada de capital estrangeiro e chegou a se aproximar novamente das máximas históricas. No entanto, ao longo da segunda metade do mês, o movimento global de rotação para ativos ligados à tecnologia e inteligência artificial reduziu o interesse relativo por mercados mais associados a commodities, como o brasileiro.

O ambiente doméstico continuou sendo influenciado pela revisão altista das expectativas de inflação e juros, principalmente após a alta dos combustíveis e a persistência de pressões inflacionárias nos serviços. O Banco Central manteve o ciclo de política monetária restritivo, sinalizando cautela diante do cenário fiscal e da resiliência da atividade.

Mercados

Enquanto os principais índices internacionais foram impulsionados pela recuperação das empresas de tecnologia e pelas revisões positivas de lucro, o mercado local teve desempenho mais moderado, refletindo a maior sensibilidade às expectativas de inflação e juros domésticos.

Nos Estados Unidos, a temporada de resultados do primeiro trimestre trouxe números robustos, especialmente nas empresas ligadas à inteligência artificial e semicondutores, reforçando o movimento de valorização do setor de tecnologia.

Nesse contexto, os mercados internacionais registraram desempenho bastante positivo, com o MSCI AC avançando +10,03%, o S&P 500 subindo +10,42% e o MSCI EM registrando alta de +14,53%. O movimento foi particularmente forte nos mercados asiáticos ligados à cadeia global de semicondutores, como Coreia do Sul e Taiwan, beneficiados pela melhora nas perspectivas para empresas de tecnologia e pela revisão positiva de lucros globais.

Já no Brasil, os setores defensivos e financeiros ajudaram a sustentar o índice, enquanto empresas mais dependentes do ciclo doméstico e dos juros permaneceram pressionadas. Nesse cenário, o Ibovespa encerrou abril praticamente estável, com variação de -0,08%, refletindo um equilíbrio entre o fluxo estrangeiro positivo, a melhora dos lucros corporativos e o aumento das incertezas relacionadas ao cenário inflacionário e aos juros.

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