O ambiente de boa performance em ativos de maior risco continuou nos mercados globais ao longo de dezembro, promovendo um ano positivo para as alocações posicionadas em ações e de vencimentos longos em renda fixa, apesar da oscilação não usual dos principais ativos nos mercados desenvolvidos.

Esta melhora é reflexo de comunicados importantes de membros do Federal Reserve, como Jerôme Powell e Christopher Waller, que, de maneiras diferentes, abriram espaço para interpretações em direção a uma maior flexibilização da política monetária (queda dos juros), mesmo com a pequena alteração das expectativas de inflação da reunião do FOMC de setembro para dezembro.

Para os principais diretores do Fed, a principal argumentação é a constante perda de resiliência da atividade americana que deve refletir para 2024. Neste cenário, as expectativas de inflação até podem abaixar em um ritmo mais lento, mas o risco de persistência inflacionária, ou reaceleração, se reduz significativamente. Hoje, o mercado americano imputa 84% de probabilidade do primeiro corte de juros ocorrer na reunião de março do FOMC.

Entendemos que agora, a tese de “soft landing” tem ganhado cada vez mais terreno no mercado. O “Soft landing” ou “aterrissagem suave” em português é um termo teórico de mercado que traduz um cenário de redução da inflação após um aperto na política monetária, sem desencadear uma recessão.

No Brasil, os últimos dois meses refletiram a guinada pró-risco do cenário externo, somada a aprovação de pautas estruturais importantes, como a Reforma Tributária (PEC45) e outras medidas de arrecadação que auxiliam a tentativa de parte do governo em reequilibrar as contas públicas. Por outro lado, houve uma deterioração no debate orçamentário, com a inclusão de R$ 50 bilhões em emendas para o Congresso, além da possibilidade de alteração da meta fiscal em 2024 para driblar o contingenciamento das despesas discricionárias. Apesar destas tensões, a agência de rating Standard & Poor’s elevou a nota de risco soberano do Brasil de BB- para BB.

Renda Fixa

Na renda fixa, o destaque foi a variação acima de 2,5% do índice IMA-B, que acompanha os preços dos títulos públicos indexados à inflação. Os ativos prefixados também tiveram boa performance no mês.

O movimento reflete o fluxo positivo de notícias sobre o mercado de trabalho e inflação nos EUA, que mostraram sinais ainda mais fortes de desaceleração. Com isso, o mercado passou a antecipar as expectativas de cortes de juros lá fora. Com um cenário externo mais positivo, o mercado também passou a precificar um ciclo mais agressivo de queda de juros no Brasil.

Multimercado

Apesar de dezembro ter sido um mês de bons retornos para os Multimercados (IHFA), uma parcela grande dos fundos apresentou dificuldades em performar no ano.

Para fins de alocação, a posição busca capturar a gestão ativa, sobretudo em cesta de moedas e curvas de juros estrangeiras que usualmente não temos exposição direta. Continua sendo importante geradora de resultado por uma questão de diversificação.

Renda Variável

Os índices de renda variável também responderam positivamente a essa dinâmica, com o S&P500 subindo 4,7%. Diante da relativa melhora do ambiente doméstico, e, especialmente, internacional, o mercado local também teve um desempenho positivo. O Ibovespa subiu 5,3% no mês.

Depois de cair durante três meses (-13% em dólares em agosto-outubro), o Ibovespa recuperou-se fortemente em novembro e dezembro, ajudado pela queda das taxas de 10 anos dos EUA, e subiu 18,6% em reais (23,1% em dólares) em novembro e dezembro, eliminando as perdas dos últimos 3 meses.

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Cenário Externo

Abril foi marcado por uma forte recuperação dos mercados globais, mesmo em meio à continuidade das tensões no Oriente Médio e aos impactos do conflito entre Estados Unidos e Irã sobre os preços de energia. O petróleo permaneceu em níveis elevados ao longo do mês, sustentando preocupações inflacionárias e reduzindo o espaço para cortes de juros em diversas economias desenvolvidas.

Os bancos centrais seguiram adotando um discurso cauteloso, diante da persistência da inflação de serviços e dos efeitos indiretos da alta do petróleo sobre a atividade econômica e as expectativas de preços.

Ainda assim, os investidores voltaram a concentrar atenção nos fundamentos das empresas, especialmente no setor de tecnologia, impulsionados por resultados corporativos acima das expectativas e pela retomada do entusiasmo em torno da inteligência artificial.

Cenário Local

No Brasil, abril foi um mês de contrastes. A bolsa local iniciou o período sustentada por forte entrada de capital estrangeiro e chegou a se aproximar novamente das máximas históricas. No entanto, ao longo da segunda metade do mês, o movimento global de rotação para ativos ligados à tecnologia e inteligência artificial reduziu o interesse relativo por mercados mais associados a commodities, como o brasileiro.

O ambiente doméstico continuou sendo influenciado pela revisão altista das expectativas de inflação e juros, principalmente após a alta dos combustíveis e a persistência de pressões inflacionárias nos serviços. O Banco Central manteve o ciclo de política monetária restritivo, sinalizando cautela diante do cenário fiscal e da resiliência da atividade.

Mercados

Enquanto os principais índices internacionais foram impulsionados pela recuperação das empresas de tecnologia e pelas revisões positivas de lucro, o mercado local teve desempenho mais moderado, refletindo a maior sensibilidade às expectativas de inflação e juros domésticos.

Nos Estados Unidos, a temporada de resultados do primeiro trimestre trouxe números robustos, especialmente nas empresas ligadas à inteligência artificial e semicondutores, reforçando o movimento de valorização do setor de tecnologia.

Nesse contexto, os mercados internacionais registraram desempenho bastante positivo, com o MSCI AC avançando +10,03%, o S&P 500 subindo +10,42% e o MSCI EM registrando alta de +14,53%. O movimento foi particularmente forte nos mercados asiáticos ligados à cadeia global de semicondutores, como Coreia do Sul e Taiwan, beneficiados pela melhora nas perspectivas para empresas de tecnologia e pela revisão positiva de lucros globais.

Já no Brasil, os setores defensivos e financeiros ajudaram a sustentar o índice, enquanto empresas mais dependentes do ciclo doméstico e dos juros permaneceram pressionadas. Nesse cenário, o Ibovespa encerrou abril praticamente estável, com variação de -0,08%, refletindo um equilíbrio entre o fluxo estrangeiro positivo, a melhora dos lucros corporativos e o aumento das incertezas relacionadas ao cenário inflacionário e aos juros.

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